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4 de out. de 2013

4 de outubro - Dia da natureza

Trilha monitorada na margem direita da Lagoa Bonita - Águas Emendadas
Foto: Evando F. Lopes

O guardador de rebanhos 
II

...O meu olhar é nítido como um girassol. 
Tenho o costume de andar pelas estradas 
Olhando para a direita e para a esquerda, 
E de vez em quando olhando para trás... 
E o que vejo a cada momento 
É aquilo que nunca antes eu tinha visto, 
E eu sei dar por isso muito bem... 
Sei ter o pasmo comigo
Que tem uma criança se, ao nascer, 
Reparasse que nascera deveras... 
Sinto-me nascido a cada momento 
Para a eterna novidade do Mundo... 

Creio no mundo como num malmequer, 
Porque o vejo. Mas não penso nele 
Porque pensar é não compreender... 

O Mundo não se fez para pensarmos nele 
(Pensar é estar doente dos olhos) 
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo.

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos... 
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, 
Mas porque a amo, e amo-a por isso, 
Porque quem ama nunca sabe o que ama 
Nem sabe por que ama, nem o que é amar... 
Amar é a eterna inocência, 
E a única inocência é não pensar...

Alberto Caeiro

11 de set. de 2013

Borboleta na Douradinha


Foto: Evando F. Lopes
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O Cerrado sempre surpreende quem se avizinha!
Como a Cagaita que desde longe avisa com seu perfume,
Como a Mutamba cuja casca dá, da rapadura o gume,
Como a perfeição inesperada da Borboleta na Douradinha.

Uma pétala do oceano da beleza, uma gota de flor,
Uma pitada infinita de asas alaranjadas e pretas,
Uma enxurrada delicada de perfumes, sons, palhetas,
Tudo contido no que pode ser entendido como nada menor...

Assim, uma borboleta que pouse inconsequente,
Numa Douradinha suculenta, dadivosa e sensual,
Pode pensar: "Não pode haver nisso nenhum mal",

Ou será que nem pensa a borboleta, apenas sente,
Que a força infinita da gratuidade da existência é tal,
A ponto de borboleta e flor serem maiores que tudo, afinal?
Poesia feita especialmente para esta foto e gentilmente cedida por Chico Nogueira.

1 de ago. de 2013

Bacupari-do-cerrado (Salacia crassifolia)

Foto: Evando F. Lopes
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Bacupari-do-cerrado 

(Salacia crassifolia)
Fruto de uma beleza rara
Amarelo igual peito de arara
Encontrado no cerrado
Solo fecundo e ensolarado
Alimento de roedores e tucanos
Minhas savanas, meus planos
Minhas florestas e desenganos
Bacupari, cutia, paca e lambari
Que saudade da terra branca
Da linda avezinha Maria Branca
Das borboletas de asas coloridas
Das veredas, das plantas floridas
Bacupari me lembra pé de ipê
Nem qual é mais bonito
Um produz fruto de comer
Outro reluz sob o infinito
Verdes veredas pé de buriti
Minha memória pé de bacupari.
Foto: Evando F. Lopes
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Salacia - uma das esposas de Netuno
Crassifolia: folha crassa ou espessa
Bacupari: fruto peludo
Extraído do livro O cerrado vive em mim, página 89. 
Autor: Emerson Vaz Borges

18 de jul. de 2012

A Lobeira

Foto: Evando F. Lopes
 A Lobeira
(Solanum lycocarpum)*
De madrugada o lobo guará
Procura o pé de lobeira
Para lhe saciar
É um fruto perfeito
Feito de um jeito
Que dá vontade de provar
É carnudo e cheiroso
Atrai também a paca
Roedodor maravilhoso
Que vive lá na mata
Eu conheço bem a lobeira
Foto: Evando F. Lopes
Eu já nadei na cachoeira
Fitei a imensidão inteira
Eu já vi de perto 
Com meu olhar esperto
Tudo que hoje virou deserto
Você não sabe que eu sei
Tampouco que me importei
Talvez agora você possa crer
Que muito antes de você
Eu já conhecia o sol antes dele nascer
Foto: Evando F. Lopes
______________
*Etimologia: solanum, de solamen = consolo , alívio.
Lycocarpum: lyco = lobo + carpum = fruto, fruta de lobo.
Poesia extraída do livro: O Cerrado Vive Em Mim de Emersom Vaz Borges
Autorização gentimente cedida pelo autor, para publicação neste site.

7 de mai. de 2012

Mãe


Fêmea da espécie Heliactin bilophus 

Mãe de natureza sublime:


Que encanta e nos ilumina...


Mãeterna poesia infinita:


Ser mãe é dádiva divina...


Pérola preciosa brilhante:


Translúcidave diamantina...

Poesia: Gustavo Dourado
Foto:  Evando F. Lopes

22 de mar. de 2012

Hidraqua... de Gustavo Dourado

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Hidraqua...
 A água está no sanguelo do espírito e no suor dos seres:
Escorre nas veias da alma e nas artérias do sonho...
Amálgama que argamassa o elixir da longa vida:
Umedece os lábios da paixão e a hóstia de graalquimia...
 Seiva que circula na essência das plantas e dos homens-pássaros:
Líquido que suaviza o beija-flor quando beija-a-flor do girassol...
Essência das sereias, iaras e deusas dos mares, dos lagos e dos rios:
Equilíbrio na gravidade lunática das marés que balançam bailarinas...
Águarte que venta tempestuosa na overdose de uma tsunami atômica:
Águaqua que seca degela congela para além das eras do fogo e do gelo...
Águáguia que num maremoto sacode medonha e faz tremer os corações...
Águamor que faz viver morrenascer em ondas de infinitantras sexplosões...
 Esta poesia foi gentilmente cedida ao site da Estação Ecológica Águas Emendadas, pelo Escritor, poeta, cordelista, pesquisador, produtor/ativista/promotor cultural, gestor, jornalista, educador, apresentador, empreendedor e amigo de Águas Emendadas. Gustavo Dourado, que também é Presidente da Academia Taguatinguense de Letras.

3 de jan. de 2012

Estranhas florações

Estranhas florações

Luiz Martins da Silva ( * )

Exóticas floras, estranhas formosuras,
Brotam de um chão vermelho e calcinado.
Não parecem flores, não parecem frutos,
Estranhos contra um céu profundo, é o Cerrado.
Estranhas formas, cada estranha criatura!
Casca grossa, cheiro forte, gosto ácido.
De tão estranhas nem parecem maduras,
Mais figuram como seres de um cretáceo.
Tudo aqui parecia estranho ao candango
E também aos que foram pioneiros.
A terra era óxida, as sementes medonhas,
Na própria casa pareciam estrangeiras.
Fui conhecendo e amando cada uma aos poucos:
Guairoba, guariroba, cagaita, mangaba, pequi.
Cada qual se apresentando com um nome mais louco:
Articum, araticum, mamacadela, baru, bacupari.
 
Agora, que já não causariam nenhum espanto,
Foram-se, deram lugar a safras mais domésticas.
Procuro em toda parte e não as encontro.
Saudosas espécies de extravagante botânica!

* Poeta, jornalista, professor da UnB – vencedor do Concurso Nacional de Literatura Cassiano Nunes.
Poesia gentilmente cedida pelo autor.
Fotos: Evando F. Lopes

19 de nov. de 2011

Brasília de Saudades

Clique na imagem para ampliar (Desenho de Romulo Andrade - 1985)
  Brasília de Saudades  
Vendo a saudade assim, de longe
De cima pra baixo, de um outro ponto de vista.
Do chão o céu, do céu a imensidão.
Por favor alguém explica,
essa Brasília que me aperta o coração.

A beleza rara e complexa da cidade                                                                                                                  que tenta imitar os traços do arquiteto,
o pedaço de terra mais antigo, entranha o passado
e prenuncia um futuro grandioso,
estranho, misterioso, distante, presente.

Faz do teu céu um pedaço do próprio mistério
a exibição do próprio encanto, as cores do vento
que sopra calmo, longe das brisas do mar.
Presa a terra, chama pràmar,
seca a boca, jorra a fonte, no chão
ali as águas não estão no ar,
brinca com o tempo, tem ponte de coração.

Essa cidade que é mais que capital
leva a caminho de ser inteiro, pleno.
Por favor alguém dedica
uma poesia a ela,
que carrega o nome inteiro da nação.

De um plano alto, central, no Brasil
eu vi um mato cerrado, torto, seco, singelo.
Por incrível que pareça, ela, das flores, a mais bonita.

Vem, daqui fica fácil entender
porque se diz 'deitado eternamente em berço esplêndido',
e o céu da pátria nesse instante. 
Brasília simplesmente. Alguém entende?
(Mateus Graça)
pé em Natal, cabeça no mundo, coração em Brasília.
Enviado por: Romulo Andrade, amigo de Águas Emendadas, desde vidas passadas!

16 de out. de 2009

Cerrado do Meu Coração

A professora Jerusa Eulálio, é integrante do grupo LEITURA VIVA, que atua na comunidade contando histórias. Reforça sempre em seu trabalho a necessidade da preservação ambiental. O texto “Cerrado do Meu Coração”, é fruto de sua participação no Reeditor Ambiental VI 2009, inspirado na literatura de cordel para despertar nas crianças e nos adultos o cerratense dentro de nós.

Cerrado do Meu Coração

Jerusa Eulálio

Meu senhor dono da casa,

Da licença de chegar.

Viemos anunciar, alertar e convidar a salvar a natureza

O cerrado! A nossa grande mãe beleza.

Cerrado de poeira vermelha

De árvores desordenadas e retorcidas

De murundus e veredas

O guarda águas dos sertões.

Das terras brasileiras de nossos corações.

Cerrado pai das águas, caixa d’água nacional

Tem águas emendadas, corre norte, corre sul.

Nessas águas corredeiras

Têm pintado, piau, traíra, piracanjuba, abotoado e pacú.

Riscam o céu em meio às nuvens

Aves em extinção

Pica-pau, papagaio, sabiá,

Macuco, mutum e mergulhão.

No cerrado tem catira, tem folia tem brincadeira.

Capivara, tamanduá e urutu

Dançam na mata com a jaguatirica, o gambá e o tatu.

Também rodopiam e salteiam

A onça-pintada, o lobo-guará e o teiú.

Sua vegetação é medicinal,

É remédio natural.

Assa-peixe, pau-ferro, barbatimão,

Chapéu de couro, pau-pombo, cipó-de-são-joão.

Cura males, cura dores, curam feridas,

Suas plantas salvam vidas.

Existe um colorido perfumado por todo lado.

Quaresmeiras, ipês, bromélias,

Orquídeas e figueiras.

A mais bonita com certeza

É a flor do diabo,

A caliandra do cerrado.

Vamos salvar!

Para erosão não devorar.

Vamos replantar para a terra a chuva não levar.

O negócio é salvar!

Para o cerrado nos recompensar

Com muita fartura:

Pequi, jatobá,

Babaçu, buriti,

Mangaba e Ingá.

Venha cá! Vamos sair por aí!

Ensinando a cuidar.

Não desmatar para o córrego não assorear.

Respeitar o tempo da natureza para ela reflorestar.

Não jogar lixo nas ruas nem da água abusar,

Queimadas? Nem pensar!

A natureza não perdoa,

Ela pode nos castigar.

Meu senhor dono da casa dá licença de sair

Agora vamos embora

Pelo cerrado afora.

Todas as crianças vão gostar

E do cerrado vão cuidar.

Foto: Evando F. Lopes

30 de ago. de 2009